Territorialidades literárias: projetos em diálogo reúne pesquisadores que, a partir de diferentes perspectivas teóricas e críticas, revisitam a literatura brasileira como um campo em permanente construção. Organizado por Ivete Lara Camargos Walty e Jonatas Aparecido Guimarães, o volume propõe pensar a noção de territorialidade para além dos limites geográficos, explorando as relações entre literatura, nação, memória, política e estética.
Com ensaios que percorrem autores como José de Alencar, Machado de Assis, Raul Bopp, Graciliano Ramos, Clarice Lispector e outros, o livro se propõe a (re)desenhar os mapas da literatura brasileira, a partir de um exercício comparatista em que a alteridade é tomada como compromisso ético para a crítica e para a teoria. Com base em noções como território, espaço, nacionalidade, antropofagia, recursividade, hospitalidade, os diferentes capítulos que compõem este volume constituem-se como mapeamentos dos processos enunciativos da literatura brasileira, observando-se os diálogos, tensionamentos e relativizações entre fronteiras que compõem projetos literários sempre em diálogo.
Resultado de pesquisas desenvolvidas em diálogo coletivo, Territorialidades literárias convida o leitor a repensar os modos de narrar a série literária brasileira e a reconhecer a literatura como território vivo, atravessado por múltiplas vozes e temporalidades. Em relação homológica com os entrecruzamentos inerentes às territorialidades que lhe são objeto, este livro se oferece ao leitor como um espaço de comunidade e o convida a integrá-lo.

Neste tempo de nacionalidades instáveis, em que, depois de movimentos de relativização de limites entre centros e periferias, observa-se o recrudescimento de fechamentos de fronteiras nacionais, faz-se importante revisitar percursos da literatura brasileira, do momento dado como de sua formação até a contemporaneidade.
Daí a ideia de se estudar a configuração de projetos de escrita delineando territórios textuais na composição móvel da série literária brasileira em seus diálogos com outras artes, fazendo dialogar Alencar e Machado de Assis, Alencar e Mario de Andrade, Machado de Assis e Silviano Santiago e este com Graciliano Ramos.
Acolhe-se ainda a produção de Raul Bopp, Clarice Lispector, Augusto de Campos. Autran Dourado, Rubens Figueiredo, Maria Valéria Rezende e outros, para verificar como se configuram seus projetos estéticos, levando em conta a questão do lugar da literatura e seus agentes na formação de territórios.
Para isso, comparam-se obras dos autores em pauta, observando seu movimento dialógico no jogo de produção e recepção uns dos outros, na
formação de territorialidades, extraterritorialidades, nacionalidades e transnacionalidades. Nesse contexto examinam-se movimentos antropofágicos entre as obras, seja da antropofagia dada como movimento estético brasileiro, seja a dada como fruto da recursividade natural das culturas, porque constituinte da mente humana. Analisando os processos enunciativos das obras, seus sujeitos, tempos e espaços, observa-se, pois, como se dá a intervenção do intelectual/escritor/artista no espaço público, com atenção especial para a mudança de seu estatuto e de sua função através do tempo, sempre sob o horizonte da relação entre estética, ética e política, na configuração de uma história
constelar da literatura brasileira em seus movimentos centrípetos e centrífugos.
